
Alice (Milla Jovovich) é uma diva. E assim como sua homônima de Lewis Carrol, está perdida em um mundo confuso e cheio de gente maluca. O problema é que eles não querem apenas confundi-la. Um descuido e Alice pode acabar virando jantar de zumbi. Esse é um dos modos mais simples de explicar a série Resident Evil, nas telas desde 2002, odiada pelos fãs dos jogos nos quais se baseia, e amada por aqueles que só acompanham os filmes, como eu. Ontem assisti a quarta parte da franquia, Afterlife, apresentada como “uma nova dimensão do mal”. Foi meu primeiro filme em 3D, e foi de fato muito bom.
Mas este post é sobre Alice e tudo o que ela representa. Algumas coisas que vou dizer vão parecer engraçadas, porque são mesmo. Como qualquer coisa baseada em um jogo, RE prima pelo absurdo. Vamos lá!
Uma das coisas que mais gosto em Resident Evil é que o mundo acabou e a Alice continua cheia de estilo! Onde ela consegue aquelas roupas? A nossa protagonista é, acima de tudo, uma itgirl. Ela improvisa e se dá bem. Transforma um casaco de aviador num vestido de inverno, um pedaço de tecido cáqui vira um lenço super estiloso. Ela é um McGyver da moda. Ah, está sempre maquiada. E muda o corte de cabelo.
Tirando esse aspecto superficial, Alice representa um ideal feminino. Costumo brincar que se os caras têm o Rambo, as meninas têm a Alice, “o Rambo de saias”. Se a gente pensar o Rambo como o máximo do ideal masculino, uma máquina de guerra, o valentão e coisa e tal, Alice é o ideal feminino deste século. Ela é uma máquina de guerra, e valentona também. No entanto, é extremamente feminina.

É incrível como o Paul W. S. Anderson desenvolveu a personagem, que não existe no jogo. A cena que marca o início da história é Alice acordando nua em uma banheira, depois de ter sido aparentemente atacada. Ela não se lembra de nada e está completamente vulnerável. Alice encontra apenas um vestido vermelho sobre a cama do quarto luxuoso onde estava. Vê um porta-retrato com uma foto dela e do também suposto marido no dia do casamento, e resolve sair de lá para entender o que está acontecendo.
Durante o primeiro filme ela passa por coisas terríveis junto com os sobreviventes presos no laboratório da Umbrella Corp. Encontra o tal marido (no qual provavelmente poderia se apoiar), descobre que o casamento era uma fachada e que ele estava mais perdido do que ela. Alice aos poucos deixa de ser uma garota frágil e assustada para dar lugar a uma mulher decidida a encontrar a verdade e a sobreviver, custe o que custar. Ela descobre sua força e informações suficientes do seu passado para entender quem é.
Vítima de uma experiência da Umbrella, Alice (ou “Projeto Alice” para eles) ganha poderes psíquicos, velocidade, força e capacidade de auto-cura. Nas suas palavras, “deixa de ser humana”. Mesmo assim, não fica se lamentando o tempo todo e vai à luta para tentar salvar os poucos sobreviventes e destruir os responsáveis pela devastação da terra. Até aqui ela parece uma criatura invencível, mas não é. Alice tem medo. Fica muito assustada com as coisas que vê, fica mesmo. Se preocupa com a segurança dos seus amigos, pois até sua presença pode colocá-los em risco.
E no meio de toda essa selvageria e horror, ela não deixa de ser mulher. Fico pensando no feminismo extremo, afirmando que as mulheres não só podem como devem ser iguais aos homens. Creio que se formos exatamente iguais aos homens deixamos de ser mulheres. Assim como uma mulher exageradamente feminina acaba se tornando uma caricatura de si mesma. O sangue-frio que Alice demonstra muitas vezes ao longo da história é combinado com toda a classe e delicadeza.
Em Afterlife tem uma cena boba que exemplifica isso muito bem. Depois de fazer um pouso arriscado sobre um prédio em Los Angeles onde havia um pequeno grupo de sobreviventes, Alice sai da aeronave e ainda aceita que Luther (Boris Kodjoe) lhe dê a mão para ajudá-la a descer, como se estivesse em uma carruagem do século XIX. Quando Angel (Sergio Peris-Mencheta) tenta fazer o mesmo para Claire (Ali Larter), ela desce pulando sem nem olhar para a cara dele. É uma cena curta e engraçadíssima. Sem falar que Alice ainda encontra tempo para flertar com os caras que a interessam, mas isso é outro assunto. Hehehe.

Sou fã dela por esses motivos. Alice e Milla Jovovich quase se confundem, acho que um pouco pela visão apaixonada de Anderson. Ele e Milla se casaram nesse meio tempo, tiveram uma filha (Milla estava grávida na época das gravações do terceiro filme) e vivem felizes e contentes desde então. Ela foi modelo, gravou um CD (até legal), começou a atuar e abriu uma grife em parceria com outra estilista (A-ha! Daí a criatividade da Alice. xD), não necessariamente nessa ordem. Enfim, espero que você que não conhece ou não gosta da série leia isso e tente ver a história com um novo olhar, e depois me conte.